Cristina Olivier
Fala-me de ti,
do que fazes e o que sonhas,
Pois quando
falas eu me enterneço
na suavidade de
tua voz.
Fala-me de ti, para
que eu esqueça de mim
e assim possa espargir
todas as
agruras ausentando-me
de dentro de mim
e como um pássaro
sem rumo,
encontre em ti o
ninho aconchegante
para o repouso desejado.
Fala-me de ti, sem
olhar as horas,
para que eu me perca
nas venturas do tempo
e não pense quando,
novamente, poderei ouvir-te.
Fala-me de ti, dos
teus projetos, dos teus ideais,
das tuas lutas,
das tuas vitórias e,
em final, quem
és tu ...
Fala-me de ti, do
teu sentir, da tua música,
dos teus anseios,
dos teus anelos ...
Fala-me de ti, para
que eu não fale de mim,
pois quero ser a
forasteira anônima,
roubando-te o sonho
que não sonhei,
ou não pude sonhar;
a vida que não vivi;
o mundo lá fora
que não conheci.
Fala-me de ti, do
teu ser homem,
dos teus gestos , das tuas ironias, do teu tom severo,
enfim, de todo o
teu esplendor.
Fala-me de ti,
pois assim fazendo,
estarás falando
de mim ...